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Automutilação, um problema sério e não tão incomum.

Automutilação ou Cutting nada mais é do que uma pessoa se auto-ferir, ou seja, faz certas coisas que lhe causam dores físicas.
Este grave distúrbio mental infelizmente atinge pessoas de diversas idades e não somente adolescentes depressivos. Isto deve ser tratado com um perigoso problema emocional já que tais pessoas, embora sem intenção, podem acabar  com a sua própria vida. 

Explicando melhor a Automutilação

Automutilação se refere ao ato de causar diversas feridas no próprio corpo. Certas crenças dizem que praticar deste método é uma busca para obter certa atenção desejada, porém, na maior parte dos casos isto seja uma afirmação errada. A grande parte dos indivíduos que praticam a automutilação são completamente conscientes do que estão fazendo, são conscientes das feridas, das cicatrizes e das complicações que isso pode lhes causar. Muitas vezes é uma prática que é feita escondida, sem o conhecimento de pais e responsáveis, por isso os praticantes tomam extremas medidas para evitar a visualização destes de tais feridas. Utilizam várias peças de roupas ou até mesmo criam histórias falsas para explicar tais machucados.
A prática da automutilação nessas pessoas está longe de estar associada a uma tentativa de suicídio, e sim ao contrário, é na verdade uma tentativa de aliviar dores emocionais, praticantes do cutting acreditam que ao cortar-se estão aliviando as dores de sua alma, ou seja, causando uma dor maior para substituir uma menor.

Perfil do automutilador

O automutilador possui a tendência de ser uma pessoa com grandes dificuldades de se expressar tanto verbal como emocionalmente, com isso não consegue dividir suas angústias com outras pessoas e nem chorar perto destes. Tal dificuldade de expressão, quando muito forte, acaba em atitudes de automutilação.
Uma grande característica de quem pratica o cutting é o baixo ou até inexistente amor próprio, tais pessoas acreditam que são verdadeiros "lixos ambulantes", que não são capazes de realizar nada com sucesso, acreditam que são reais fracassados e que não tem o direito de conviver com outras pessoas. Acreditando nisso, muitos se afastam da família e de amigos para poupa-los do mal que acredita ser como pessoa.
Muitos acabam por deixar de praticar atividades em que seja necessária a exibição corporal como ir a praia ou frequentar algum clube, para que assim não precisem falar sobre o problema e nem possam ser impedidos de praticar tal coisa.

Possíveis Causas

O cutting é geralmente associado ao Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), porém, a maioria dos casos de automutilação se da em pessoas que não sofrem de tal distúrbio. A automutilação tem atingido cada vez mais pessoas e vem sendo associada a problemas de depressão, síndrome do pânico, bulimia, anorexia, bullying, dentre outros.

Não existe uma idade determinada para o começo da prática do cutting, é uma doença que pode atingir pessoas de qualquer faixa etária e qualquer posição social. Conheça agora a história de G.C.M.R uma jovem de 19 anos que a alguns meses vem conseguindo vencer a automutilação:

Portal M5: Com que idade a automutilação se deu início?
G.C.M.R: Comecei com mais ou menos 13 anos que foi quando as brigas entre meus pais ficaram mais intensas.

Portal M5: O que você pensava enquanto estava se cortando?
G.C.M.R: Em tudo o que minha mãe já disse para me diminuir e para acabar com a vida do meu pai. Eu sempre lembrava de tudo.O porque era tão difícil pra minha mãe me amar.

Portal M5: O que fazia você sentir vontade de se automutilar?
G.C.M.R: Bom meus pais estavam se separando e eu nunca morei com eles, sempre morei com a minha avó e me sentia culpada porque na minha cabeça eu achava que se tivesse ido morar com eles isso não teria acontecido. 
Minha mãe nunca foi o tipo de mão convencional sabe que senta e conversa contigo, pra ela trabalhar pra comprar as coisas pra mim era estar sendo mãe. Isso fez com que eu não tivesse uma referencia do tal amor de mãe que todo mundo diz por ai, sempre achei que tinha algo errado comigo, que eu afastava as pessoas, e eu criei uma certa raiva de mim mesma e sempre que acontecia alguma coisa, eu ficava com muita raiva porque eu sempre fazia as coisas "erradas"(na maioria das vezes eu não tinha culpa alguma). E as palavras da minha mãe sempre me puseram pra baixo, eu comecei por causa das palavras dela e no final estava fazendo por todos os outros motivos passados.

Portal M5: Seus pais ou responsáveis sabiam da automutilação? Se sim, como agiam em relação a isso?
G.C.M.R: Meus pais não sabem até hoje, não moro mais com eles a quase 2 anos. Tenho uns primos que sabem e que estão ajudando a me curar, eles só não procuraram entender o porquê.

Portal M5: O que a fez parar?
G.C.M.R: A um ano atrás eu tive uma experiência com Deus, e assim as coisas começaram a mudar mas a minha vontade de me cortar não. E assim desde então eu venho sendo encorajada a compartilhar os meus problemas com pessoas em quem confio, em agosto deste ano contei para o R. que se dispôs a me ajudar.
É um processo onde 80% é espiritual e 20% determinação e força de vontade, todos precisam de algo para acreditar em Deus e na mensagem da cruz é o melhor que todos nós independente se pratica ou não devemos fazer. Entender que apesar de meus pais não terem me amado da forma como deviam  Deus me
ama acima de tudo e morreu numa cruz pra me salvar, muda toda a história. Ainda não estou curada, descobri recentemente que sofro de um transtorno chamado dependência emocional e é por isso que a automutilação começou, estou começando o tratamento agora mas não me corto a alguns meses e isso é bom. Hoje tenho 19 anos e eu sei que tem muita gente achando que nunca será capaz de parar e isso vai acabar as matando, basta você ter fé, acreditar e ter força de vontade para parar. Eu acredito em cada uma das pessoas que fazem isso e é importante contar pra alguém que você faz e pedir ajuda, é difícil mais salvou a minha vida, e pode salvar a de todos os outros que fazem.



A automutilação é uma doença e deve ser tratada como tal, jamais deve ser tratada como uma forma de chamar atenção boba. É um distúrbio grave de personalidade e que cada vez mais pessoas vem sendo atingidas por ele.

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